quarta-feira, 16 de junho de 2010

Pai de Santo Cobra Até R$ 3.000,00 por Macumba

image O pai de santo que atende pelo nome de Jerônimo cobra até R$ 3.000 para “amarrar” duas pessoas em 24 horas. Ele procura ser tão convincente, que em seu site, O Místicos e Bruxos, adverte: se quem o contratar tiver dúvida sobre seus sentimentos em relação à  pessoa supostamente amada, é melhor desistir, porque a união será para sempre.

Quem não puder pagar tanto, ele cobra R$ 2.000, mas a ‘amarração’ só de dará em cinco dias, ou R$ 1.000, para o prazo de uma semana. Ele informa que seus poderes vêm do jogo de búzios, tarô e cartas. Também faz simpatias para acabar com dificuldades financeiras e com “dores no corpo”. O atendimento é por telefone.

O pai Jerônimo foi um dos místicos que Giovana Romani e João Batista Jr., da Veja São Paulo, visitaram para escrever a reportagem “Charlatões do amor”. Nas visitas, eles não falaram que são jornalistas.

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Susi, a “astróloga do amor”, cobra R$ 50 por uma consulta de 20 minutos, mas para limpar o cliente de “encosto” (macumba feita por um inimigo) o preço chega a R$ 1.400, quantia que pode ser paga em sete parcelas mensais. Trata-se, disse ela, de “oferendas” aos “anjos e aos guias de luz”.

Já o preço de Branca é módico: R$ 30 por sessão de leitura de tarô. Mas “trabalho” de neutralização de “encosto” sai por R$ 500. Ela usa, nesse caso, sacrifício de animais. “Mexo com rã, galinha e bode.”

Dona Catarina cobra a partir de R$ 50. Seus poderes vêm do tarô da deusa do amor, búzios e cartas indianas. À repórter Giovana, fez previsões como: “Nos próximos dias, um acidente de carro deixará a pessoa amada em coma”, e “você vai atropelar duas menininhas”.
Mas ela garante que pode “abrir o caminho da felicidade” em 24 horas pela bagatela de R$ 588 para a compra de velas e flores a orixás.

image Dona Margarida cobra R$ 80 por consulta, e suas previsões não são trágicas, mas excessivamente otimistas.
Depois de jogar o tarô, ela disse ao Batista Jr. que no próximo ano ele vai se tornar um pianista famoso. Batista disse que nunca tocou o instrumento, mas ela manteve a previsão: “[Mesmo assim] pode preparar os dedos, porque eles vão trabalhar bastante”.

Na maior parte dos casos, quem procura esse tipo de charlatões são pessoas emocionalmente abaladas que supervalorizam o transcendente para resolver seus problemas. São mulheres e homens rejeitados, vítimas de infidelidade e pessoas com dificuldade financeira.

São, portanto, presas fáceis, embora, entre elas, existam pessoas com bom nível cultural, como profissionais liberais, professores, comunicadores e donas de casa que fizeram curso universitário.

São pessoas que não desconfiam da enganação sequer quando, por exemplo, pagam R$ 100 ao pai de santo Maicon de Xangô, que diz ter a ajuda do espírito Seu Zé Pilantra. 

Anderson Azevêdo

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